2026 -Origens – semelhantes mas diferentes
Uma cabeça coberta por um saco esconde as características e a identidade da pessoa. A identidade é moldada, construída, coberta por camadas ou aparências? visíveis? codificadas? Mas o que acontece quando a superfície é rompida?
Meu projeto explora essa tensão entre aparência e essência por meio do trabalho com cerâmica, em que o próprio material se torna uma metáfora. Eu uso argila vermelha, um símbolo da matéria-prima universal, coberta com um deslizamento branco ou preto (como os diferentes tipos de raça). Essa camada externa, semelhante a uma pele, oculta a verdadeira natureza do material. Mas ao rompê-la em alguns pontos, a terra vermelha reaparece, como a carne desnudada, revelando o material e a origem comum dos seres humanos. Ao confrontar a oposição entre uma camada que oculta e um material que se revela, entre a cor da pele e o que está por baixo, esse projeto questiona a construção social das diferenças raciais.
Negras ou brancas, essas camadas superficiais não são a essência do ser humano. Se elas forem quebradas, o que resta é o mesmo material fundamental. No final, somos todos feitos da mesma terra, do mesmo barro, da mesma origem. A identidade nunca é fixa: ela é um material em tensão, uma memória enterrada, uma verdade que se revela quando concordamos em romper com as aparências e olhar além das divisões impostas.
Estou planejando uma instalação de um grupo de cabeças com um número par para não sugerir um tema dominante, ou seja, 6 brancas e 6 pretas, dispostas em um grande círculo como uma mesa redonda onde todos possam se ver. Elas serão montadas em uma haste de metal para que possam ser ajustadas aos olhos do observador.