2007 – Narcisse

Embrulhar um corpo em sua totalidade tem um significado completamente diferente de embrulhar objetos. As dobras, os gestos e as tensões, além de seu papel estético, transformam o ser humano em um objeto, uma escultura imóvel, distante de qualquer individualidade ou livre arbítrio. Além de explorar a forma, a fotografia ajuda a nos distanciar da violência do enclausuramento total de um ser vivo. Por meio da publicidade e das prescrições sociais, somos submetidos à dupla injunção de sermos nós mesmos e, ao mesmo tempo, estarmos em conformidade com os cânones físicos em vigor.
Em Appearances, corpos reais se tornam lisos e sem idade, sem nacionalidade ou cor de pele, graças a uma bainha de tecido branco plastificado.

Narciso, em 2014, marca a continuação dessa pesquisa sobre a noção de identidade e sua diluição pela conformidade com os critérios mutáveis de sedução. Hoje, Narciso não se perde mais em seu próprio reflexo, mas na atração que ele imagina ser a mais atraente.